não

Não me canse.
Eu estou pra morrer e você me vem com mais neologias?
Não me venha com essa de poesia salvadora.
Eu não quero saber dos teus pecados.
Não. Não tenho tempo para seus retalhos velhos manchados de sangue e suor.
Não acredito que meu último suspiro possa esperar você terminar de declamar.
Saia! Não me canse! Não me provoque! Não morra! Me mate! Dance.


"O mar, a noite, as flores e a carruagem
 Andices andantes
Esdrúxulas.
Catacumbas.
E a dor do inverno
Raiz mate.
Caravanas. caravelas. entupimentos."
(aspas em mim)

Minha menina

Carolina, sabes que eu te amo, Carolina
Sabes, minha menina, sabes que vivo por ti
Sabes que sonho, sabes que choro
Que pela rua deserta, pela noite encoberta
encoberta pela luz do luar
Chamo teu nome

Ah, Carolina
Esses seus olhos verdes, suas mãos, suas curvas,
Esses seus negros cabelos me puxam, me prendem.
Me cegam, que só os vejo.
Só te sinto.
E não há mundo, e não há sem ti, minha Carolina

Carolina, ah, Se eu não te amasse
Que seria de mim, Carolina?
que seria sem você?
Sem os seus cabelos negros,
Sem o seu perfume doce.
De mim nada, De você o mundo.

Ah Carolina, minha menina,
Minha menina, seja minha, toda minha.
Que te faço minha, te faço rainha, te faço princesa,
Te faço minha Carolina, eterna Carolina,
A dona de todo esse mundo.
dor.
definir.
dor.
excluir.
dor.
limitar-se.
dor.
reticências.
dor.
morte. pranto. angustia. grito. anéis. martelo. dor.

Sem você

Você não sabe, mas eu te espero.
Você não vê, mas eu rego as suas rosas.
Você não sente, mas eu espalho seu perfume pela casa.
Você não ouve, mas eu chamo seu nome ao cair da tarde.
Você nem percebe mas eu te sigo, te sinto te vejo, te amo.


Quando estou em perfeito estado de sobriedade eu penso em você. Quando não eu te persigo com o olhar, com as mãos e com a garganta. Contei cada uma das horas. Me embriaguei, te envenenei e morri.
no interior. de mim. do estado. do mundo.
até a volta,
quintal
do episódio em mim
flores
da sacada daquela casa
e as árvores de fruta no pé
e algodão em flor

flores
da sacada
me perder
por entre as flores
os amores
e estes teus cabelos

Não lhe contaram?

O que é tão ruim?
O que é tão dolosoro?
O que entristece tanto?

A menina caminhava, ainda trôpega, cambaleava. Não bebera esta noite, mas a dor da notícia lhe tirava o equilíbrio. Olhos arregalados, semicerrados, petrificados, estarrecidos. Negava-se a acreditar, mas acreditara sem vacilar. Não chorou, não gritou, nem questionou. Não ajoelhou-se aos pés de seu algoz, não pediu detalhes. Apenas ouviu. Revelar, desnudar, rasgar-lhe a pele. Fechou-lhe a garganta, incharam-lhe os olhos, emudeceu. Maneou a cabeça numa tentativa de tatilmente arrumar as ideias. Tentou abrir a boca. Em vão. Entreabertos, os lábios viram ser cortado do ventre o grito. E foi. Trôpega, vacilante, sem olhar para trás.

Nunca mais passaria por ali. Nunca mais veria. Nunca mais ouviria.
A ponte, a água. O que mais haveria?

devaneios ao entardecer


O sol já se deitava sobre o mar, pintando de dourado as casinhas da vila de pescadores. Coqueirais esvoaçam suas folhas levados pelo vento. Um jovem de calça dobrada empurrava seu barco em direção ao mar, ajudado pela garota de vestido de chita e cachos soltos ao vento. André vai lançar-se ao mar e Adriana, sua noiva, ficara em casa nos bordados. Mas antes de partir, um beijo.

- Me dê esse bloco e uma caneta aí, filha! - o pedido parecia vindo de longe, mas Caio estava sentado no sofá bem atrás de mim.
- Hã? Hein? É comigo?
- O bloco e uma caneta, por favor.
- Claro, aqui está.

Foi um filmezinho embalado pela música "Carolina". A música acabou e o sonho junto. Cena 2.

A música é "Tipo um Baião". Maricélia nem sente a multidão lhe empurrar. Ela nem percebe que o trio está partindo. O carnaval parou no que o rapaz dos cabelos cacheados pôs sua língua em contato com a dela. A cidade gira bem devagar, gira, rodopia. Mas o beijo acabou. O rapaz lhe sorriu, e sumiu. Maricélia ainda acorda do transe. Nem mesmo teve tempo de puxar-lhe o braço, de dizer-lhe 'fique'. Ela se apaixonou pelo rapaz de cabelos cacheados que desapareceu e deixou em sua boca o gosto de um grande amor.

De uma brincadeira. eu e ela. uma poesia

Está bem, eu vou embora
Pra onde? Pra longe
para o fim dos meus pesadelos,
para o horizonte dos teus olhos

Não vá!
Mas por que?
Eu preciso, eu peço,
e você, está na cara, não me quer mais aqui.

Mas eu não quero você lá.
Então dê-me a resposta, para onde eu devo ir?
O que você tem contra ficar aqui?
Me acostumei
Então não posso fazer muito além de deixá-la ir


Ela

Suor

teus lábios
teu beijo
e o suor do teu rosto
o gosto de tua língua
e o calor de teu halito

nua em meus braços
tuas coxas em minhas coxas
e no nó da tua garganta
embaraçado em minhas veias

te sentir
ofegar
respirar no ritmo do teu pulsar
a pressão do teu sangue
a circular nas minhas veias