'Olhos Verdes', de Gonçalvez Dias

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Odeio colégio... Amo estudar, mas odeio o colégio. No entanto, algumas poucas vezes, o colégio me dá umas recompensas, conhecer o poema abaixo foi uma delas... Deleitem-se

São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;
Uns olhos cor de esperança,
Uns olhos por que morri;
Que ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como duas esmeraldas,
Iguais na forma e na cor,
Têm luz mais branda e mais forte,
Diz uma — vida, outra — morte;
Uma — loucura, outra — amor.
Mas ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

São verdes da cor do prado,
Exprimem qualquer paixão,
Tão facilmente se inflamam,
Tão meigamente derramam
Fogo e luz do coração
Mas ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
depois que os vi!

São uns olhos verdes, verdes,
Que podem também brilhar;
Não são de um verde embaçado,
Mas verdes da cor do prado,
Mas verdes da cor do mar.
Mas ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como se lê num espelho,
Pude ler nos olhos seus!
Os olhos mostram a alma,
Que as ondas postas em calma
Também refletem os céus;
Mas ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Dizei vós, ó meus amigos,
Se vos perguntam por mim,
Que eu vivo só da lembrança
De uns olhos cor de esperança,
De uns olhos verdes que vi!
Que ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Carta de Luciana

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Oi. Demorou de responder, então resolvi escrever outra carta. Estava vendo as fotos do fim de dois mil e sete, e chorando mais uma vez. Nem diga nada. Sei que é um passado do qual nos envergonhamos. Mas admita que foi lindo, foi poetico, litorâneo e sonhador. Foi a ultima vez que te vi chorar, se não me engano. Lembro que estavamos conversando, por telefone, semana passada, e você disse que não chorava em público para não exibir suas fraquezas. Sabe, eu tambem pensava assim. Até lembro a primeira vez que chorei em público. É sério, eu lembro. Foi no mercado, não lembro o motivo. Tentei esconder, mas chorei. Até hoje, quendo choro na rua, choro discretamente, mas choro, e não seguro o choro. Você devia fazer o mesmo. Sei que vocês dizem que sou uma chorona. E admito que choro com fotos, músicas, filmes, vozes. Lembra que uma vez eu chorei por que minha miopia não me permitia enxergar a lua? Você riu de mim, brigamos, mas passou rápido. Como todas as nossas brigas, aliás. A gente nunca passava mais de dez minutos brigadas. Enfim, tava pensando essas coisas, mas não queria falar por telefone. Desde que vim para cá me sinto muito só, sabe? E não é a mesma coisa, só com as meninas daqui, elas não me distraem tanto quanto você. Ah, quase que me esqueço: nunca mais passe mais de quinze dias sem me escrever!

Beijos. Até sua próxima carta.
                                                                                       Luciana Alves, Bruxelas, Bélgica.

Trabalho de Biologia

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Minha mente vagueava pelo espaço. Eu pensava no homem que vi hoje à tarde, e no beijo que ele me deu. Eu pensava em Isaac, e naquele sorriso que me deixa louca. Pensava nos acústicos que estou ouvindo, e no meu violão que ainda nem comprei. Na TV que mudou de canal, me parece que, sozinha. Na banda de rock que eu e umas amigas estamos criando. Na faculdade, e na possível, porém remota, idea de ser professora. Pensava também em alguma forma de ganhar dinheiro. Eu pensava no mundo quase todo. Menos na biologia, no livro à minha frente ou na apresentação sobre lipídios, que deve começar assim que esta madrugada acabar, na primeira aula.

Não sei...

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Não sei se vou manter esse blog. Não sei se vou postar todos os meses, tão pouco todos os dias. Não sei se alguém irá ler, ou está lendo este texto. Não sei se vão gostar do que publico. Não sei se virarão seguidores, ou abandonaram esse blog para nunca mais voltar a vê-lo. Enfim, não sei de absolutamente nada. Mas a única coisa da qual tenho certeza é que tenho a necessidade de expor minha arte ao mundo, quer ele goste, quer ele aprove, quer ele precise, quer não para todas as alternativas. Não lhe peço fidelidade, nem interesse, nem mesmo sua atenção. A única coisa que peço, e sei que não será um sacrifício tão supremo, é que não ignorem o que digo, mesmo que não concordem, mesmo que não mais queiram me ouvir falar, ou ler o que escrevo. Apenas peço que desviem um pouco de tempo para ver as divagações e os devaneios dessa mortal sessentista guiada pela imaginação.