O moço do whatsapp

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Como ele pode me conhecer tão bem se eu nunca o tinha visto? Tudo bem, eu sei que é normal a gente se reconhecer em textos de outros autores... Mas em tantos? Parece que tudo que esse homem escreve fala sobre mim! E não, não é narcisismo, você sabe que eu não sou assim...
Além do mais, foi ele quem me procurou. E que diabo de suspense para dizer de onde me conhece! Puta que pariu, quem são esses "amigos em comum", esses " três irmãos", que deram meu número a ele?
Se me conhece tão bem devia saber que eu não gosto dessas coisas... Devia saber que... Não, disso ele não poderia saber...
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Eu acho que entendo como ele se sentia.
Eu já quis, em algum momento, estar perto e longe.
Emocionalmente já estive. E creio que ele o tempo todo. Mesmo antes da canoa.

Acho que todo jovem já teve uma fase assim.
Não exatamente assim. Mas assim.
A minha passou. A dele não.

Não entendo o rio.
Não é minha realidade.
Nem as árvores.
Mas entendo o longe e perto.

Eu não fiz. Eu teria me arrependido. Hoje.
Ele não.
Ou ele sim.
Ele quis voltar. Acho que quis.

Eu acho que entendo ele.
O narrador sabe de muita coisa.
Eu só acho.


- Texto inspirado pelo conto A terceira margem do rio, de Guimarães Rosa.