Mandala de areia

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Eu vi uma mandala de areia.
Eu vi uma mandala de areia e me perguntei por que dedicar tempo a uma coisa tão efêmera.
Eu vi uma mandala de areia e pensei que, de certa maneira, tudo que fazemos é efêmero.
Eu vi uma mandala de areia e comecei a pensar em como a própria vida também é efêmera.

Eu vi uma mandala de areia e pensei que esse coração partido um dia se cura.
Eu vi uma mandala de areia e pensei que essa dor um dia passa.
Eu vi uma mandala de areia e pensei que essas lágrimas entaladas um dia caem.
Eu vi uma mandala de areia e pensei que esse amor enrolado de corda um dia chega.

Eu vi uma mandala de areia e, pela primeira vez desde aquela nossa infeliz conversa, sorri.

Hoje eu tive meu coração partido

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Eu me apaixonei.
Pela primeira vez em anos eu me apaixonei. Eu me permiti apaixonar.

Ele me contou que é casado.
Ele me contou que a esposa viu as mensagens e que ela não lidou muito bem com elas.
E eu só havia dito queria encontrá-lo de novo.

Eu bebi um tanto mais do que devia.
Na janela do ônibus eu lembrava do meu pai que não falava comigo e da briga com o meu tio há algumas noites...

Os deuses não brincam com quem anseia a grandeza. Eles esmagam quem acha que merece. Uma espécie de teste ou prenda.

Olhei para a janela do ônibus e, por alguns segundos, imaginei o que aconteceria se meu corpo passasse por ela.
No final dos alguns segundos pensei que ainda falta muita coisa para fazer. E creio que sempre faltará.
E, de qualquer sorte, a janela era estreita demais.

Ainda meio bêbada subi a ladeira para minha casa.
Tomei banho. Tomei café. Chorei até dormir.
Depois passa.
Depois passa.
Mas não hoje.
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Então eu me aproximei, no intuito de ajudar aquele homem idoso e disse:
- Senhor, o senhor sabe exatamente o que está fazendo?
Ele parou o que estava fazendo, pôs-se ereto e olhou-me grave:
- Minha filha, ninguém sabe exatamente o que está fazendo.

Fazendo um balanço, acho que estou indo bem

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Hoje no ônibus entrou um moço fedendo a mijo e cachaça. Eu senti nojo dele.
Então eu lembrei da aula de ontem a tarde quando conversamos sobre Manuel Bandeira, Bauman e o refugo humano gerado pelo capitalismo. Lembrei que eu comentei como a desumanização dessas pessoas revela nossa própria desumanização. Eu senti nojo de mim.

Quando desci do ônibus vi algumas pessoas sentadas atrás do hospital esperando a condução. Eles pareciam cansados. Sorri e desejei-lhes uma boa tarde. A moça de longas saias com o terço na mão que vinha logo atrás de mim não desejou boa tarde. Eu fiquei triste por ela. Eu senti orgulho de mim.

Fazendo um balanço, acho que estou indo bem.
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Eu prefiro os dias sem sol. Sem chuva.
Ou eu acho que prefiro os dias de sol.
Mas o sol me dá alergia.
Coça, arde, incomoda.
Sendo assim, prefiro que ele fique escondido.

Também gosto de banhos de chuva.
Mas não é bom chegar no trabalho ou na faculdade com roupa ensopada e papel molhado.
Então prefiro que não chova.

Mas tudo isso é irrelevante.
Porque Salvador é uma cidade é bipolar.
Então se chove de manhã, à tarde faz sol e à noite volta a chover.
E se o dia amanhece aberto, depois fecha e chove. E depois abre e faz sol.
Há de se sair com roupa fresca, além de guarda-chuva e casaco.

Acho que prefiro mesmo é café.
Dias de tempo fechado. Sem chuva.
Sem greves de ônibus e com biscoitos assando no forno.
Um vinho no final do dia e um bom livro antes de dormir.

Um amor cairia bem, mas isso não é tão necessário.
O vinho, esse sim, é necessariíssimo.