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Sentou-se a beira da cama. Sorriu. Esse seria um belo dia para o mundo. Seria um dia marcante para Isabel. Levantou-se. Tomou um prolongado banho. Deixou a água escorregar pelo seu corpo esguio. Deliciou-se na maciez da esponja ensopada de seu sabonete favorito. Lavou os cabelos. Secou-se. Preparou o café, com canela, e o segredo especial do potinho laranja. Foi vê-lo no quarto. Ele ainda estava lá, deitado, é claro. Vestiu-se. Bebeu o café. Morreu. Na manhã seguinte a noite em que esfaqueou o marido.

Não morri

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Não morri
Algo que poucos imaginaram
Vivifiquei-me em mim
Saberia se estivesse morto
Eu desci

Para o escuro
Pra depois do branco
Onde os vermes comem os decrépitos 
E entulham-se os cadáveres da depressão

Não morri
Eu lhe teria avisado
Eu lhe teria arrastado
Mas não morri
Apenas me enterrei

Me afoguei na lama suja e na agua infectada
Cortei-me com o punhal
Feri, sangrei, chorei, suei
Mas mesmo em pedaços talhados a ferro
Não morri
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Antes de despi-la, contemplou seus olhos.  Perguntou-se se duzentos anos seriam suficientes para descobrir o que há  por detrás daqueles olhos cor de avelã. Por hora, se contentaria que tais olhos apenas o mirassem.

não

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Não me canse.
Eu estou pra morrer e você me vem com mais neologias?
Não me venha com essa de poesia salvadora.
Eu não quero saber dos teus pecados.
Não. Não tenho tempo para seus retalhos velhos manchados de sangue e suor.
Não acredito que meu último suspiro possa esperar você terminar de declamar.
Saia! Não me canse! Não me provoque! Não morra! Me mate! Dance.


"O mar, a noite, as flores e a carruagem
 Andices andantes
Esdrúxulas.
Catacumbas.
E a dor do inverno
Raiz mate.
Caravanas. caravelas. entupimentos."
(aspas em mim)

Minha menina

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Carolina, sabes que eu te amo, Carolina
Sabes, minha menina, sabes que vivo por ti
Sabes que sonho, sabes que choro
Que pela rua deserta, pela noite encoberta
encoberta pela luz do luar
Chamo teu nome

Ah, Carolina
Esses seus olhos verdes, suas mãos, suas curvas,
Esses seus negros cabelos me puxam, me prendem.
Me cegam, que só os vejo.
Só te sinto.
E não há mundo, e não há sem ti, minha Carolina

Carolina, ah, Se eu não te amasse
Que seria de mim, Carolina?
que seria sem você?
Sem os seus cabelos negros,
Sem o seu perfume doce.
De mim nada, De você o mundo.

Ah Carolina, minha menina,
Minha menina, seja minha, toda minha.
Que te faço minha, te faço rainha, te faço princesa,
Te faço minha Carolina, eterna Carolina,
A dona de todo esse mundo.