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Eu prefiro os dias sem sol. Sem chuva.
Ou eu acho que prefiro os dias de sol.
Mas o sol me dá alergia.
Coça, arde, incomoda.
Sendo assim, prefiro que ele fique escondido.

Também gosto de banhos de chuva.
Mas não é bom chegar no trabalho ou na faculdade com roupa ensopada e papel molhado.
Então prefiro que não chova.

Mas tudo isso é irrelevante.
Porque Salvador é uma cidade é bipolar.
Então se chove de manhã, à tarde faz sol e à noite volta a chover.
E se o dia amanhece aberto, depois fecha e chove. E depois abre e faz sol.
Há de se sair com roupa fresca, além de guarda-chuva e casaco.

Acho que prefiro mesmo é café.
Dias de tempo fechado. Sem chuva.
Sem greves de ônibus e com biscoitos assando no forno.
Um vinho no final do dia e um bom livro antes de dormir.

Um amor cairia bem, mas isso não é tão necessário.
O vinho, esse sim, é necessariíssimo.

Rotatividade

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- Você sempre tem um favorito, não é?
- O que? - e quando me virei Raquel já estava longe, a caminho da cozinha.
- Eu disse que você sempre tem um favorito! - gritou já do outro cômodo.
- Como assim favorito?!
- Desses seus contatinhos. - disse, entanto apoiava o ombro na porta da cozinha, o que me dava indícios de que a explicação seria longa - Sempre tem um que faz seus olhos brilharem. Aquele que você sorri quando vê a notificação e que te faz mover toda sua agenda para encontrar. Você até fica desapontada quando espera uma mensagem dele e vê que é de outro contato.
- Mas eu nunca gosto de um só.
- Eu sei. É por isso que você fica triste quando o favorito some e trata logo de arranjar outro para ocupar a vaga. Sempre tem que ter um favorito.
- O que significa isso?! - perguntei, em parte atônita e, em parte, dramática.
- Rotatividade - me respondeu enquanto saía da cozinha com um pedaço de pão e um copo de cerveja, caminhando em direção ao sofá.