devaneios ao entardecer


O sol já se deitava sobre o mar, pintando de dourado as casinhas da vila de pescadores. Coqueirais esvoaçam suas folhas levados pelo vento. Um jovem de calça dobrada empurrava seu barco em direção ao mar, ajudado pela garota de vestido de chita e cachos soltos ao vento. André vai lançar-se ao mar e Adriana, sua noiva, ficara em casa nos bordados. Mas antes de partir, um beijo.

- Me dê esse bloco e uma caneta aí, filha! - o pedido parecia vindo de longe, mas Caio estava sentado no sofá bem atrás de mim.
- Hã? Hein? É comigo?
- O bloco e uma caneta, por favor.
- Claro, aqui está.

Foi um filmezinho embalado pela música "Carolina". A música acabou e o sonho junto. Cena 2.

A música é "Tipo um Baião". Maricélia nem sente a multidão lhe empurrar. Ela nem percebe que o trio está partindo. O carnaval parou no que o rapaz dos cabelos cacheados pôs sua língua em contato com a dela. A cidade gira bem devagar, gira, rodopia. Mas o beijo acabou. O rapaz lhe sorriu, e sumiu. Maricélia ainda acorda do transe. Nem mesmo teve tempo de puxar-lhe o braço, de dizer-lhe 'fique'. Ela se apaixonou pelo rapaz de cabelos cacheados que desapareceu e deixou em sua boca o gosto de um grande amor.

3 comentários:

João Krustin Guimarães disse...

Grande Cícero.

E se eu te falar que me inspirei em "Ensaio sobre ela"? Muita coincidência...

enfim,
http://rudimentarium.blogspot.com/2012/01/andar-com-os-olhos-abertos-e-ver-o-que.html

Esse é pra você. Na verdade é uma resposta ao seu comentário em "Abdicar".

beijo, até a próxima.

João Krustin Guimarães disse...

Adoro essas mulheres de chico. Principalmente "Nina" e "Carolina".

Francisco Casa Nova disse...

lendo o texto 1 lembrei-me de outra música " o mar" de dorival caymmi


"...O mar... pescador quando sai
Nunca sabe se volta, nem sabe se fica
Quanta gente perdeu seus maridos seus filhos
Nas ondas do mar

O mar quando quebra na praia
É bonito, é bonito

Pedro vivia da pesca
Saia no barco
Seis horas da tarde
Só vinha na hora do sol raiá...
...Pedro saiu no seu barco
Seis horas da tarde
Passou toda a noite
Não veio na hora do sol raiá
Deram com o corpo de Pedro
Jogado na praia
Roído de peixe
Sem barco sem nada
Num canto bem longe lá do arraiá

Pobre Rosinha de Chica
Que era bonita
Agora parece
Que endoideceu
Vive na beira da praia
Olhando pras ondas
Andando rondando
Dizendo baixinho
Morreu, morreu, morreu, oh..."

Tantos segredos tem o mar, amor!