Quero colo,

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Ah! Eu quero colo
Quero colo sim, tipo surpresa
Quero só ter alguém sempre a mesa
Que me olhe nos olhos e sinta
Sinta que eu quero colo
De alguém que me chame
Me chame de amigo

Que me envolva e não reclame um sentido
Pra loucura, pra loucura que é a gente se amar
Eu quero colo pra que eu possa ficar feito um menino
Pra esquecer que existe a dor como destino
Do amor que nasce e morre
Porque é assim que deve ser

Eu quero colo,
que me acolha e me afogue feito um sonho
Que perceba que eu quero e o que eu proponho
É uma vida ou um momento pra viver

Pedra atirada

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Tudo ao nosso redor, e até aquilo que não nos rodeia, pode mudar nossa vida para sempre. Como aquela velha pedra cor de grafite. Quem diria a levaria pra todos aqueles caminhos....

Era uma tarde ensolarada de uma segunda-feira qualquer. Saber qual segunda é irrelevante, então voltemos ao ônibus. Ela tinha pegado o coletivo para voltar para casa. Sorria, sua vida estava tão linda. Seu noivo a amava de verdade, o tão esperado filho estava por vir, e sua irmã, que antes era a raiz de tanto desgosto, para se casar em um mês. Alias, sabe o tecido que tinha ido comprar? O azul que estava nas mãos dela, lembra? Era para o vestido que ia usar no casamento da irmã.

Reparou que o motorista estava indo bem rápido. ‘Talvez tenha um horário a cumprir’, pensou. Tanto que numa certa curva, até se assustou um pouco com a virada brusca. Mas nem isso a preocupava. Se bem que a pedra a deixou confusa. De repente o ônibus começou a tombar para os lados, a acelerar continuamente... ‘Oh meu Deus, pare motorista, pare agora!’. E ele não obedecia. O ônibus tombava andava, era iminente a colisão. Um rapaz, que aparentava ter uns vinte e cinco anos levantou-se e foi até a frente do ônibus. ‘Corram para o fundo rápido, ele está morto!’ Mas já era tarde. Ele gritou a dois metros do muro de concreto. Nem ele mesmo conseguiu se salvar.

Abria lentamente os olhos. O branco do lugar ofuscava seus belos olhos verdes. Seu rosto revelava todas as costumeiras perguntas que desejava fazer. Se ao menos sua voz conseguisse achar o caminho da garganta. E como doía respirar, sentia como se houvesse vidro em todo seu corpo. Mas, espera talvez houvesse, os flashes começavam a girar em sua mente: a pedra, o rapaz assustado, os gritos, o muro. Gritou. Muito e muito alto. Então sentiu doces mãos lhe acariciarem o rosto. ‘Calma querida, tudo já passou, você está bem agora. Em boas mãos... Em boas mãos’. Então foi se acalmando lentamente. Arqueando as sobrancelhas e levando o rosto levando levemente o rosto para trás, movimento este que lhe rendeu muitas dores, perguntou com quem falava. Era a enfermeira, que calmamente lhe explicou, que sua família estava do lado de fora do quarto, por questões médicas, mas que logo poderiam entrar. Algo a incomodava. Eram os tais pedacinhos de vidro que sentia, provocavam uma dor infernal a cada movimento.

Me abrace

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Não questione quando eu disser 'me abrace'. Não questione, não pense, nem pare. Apenas abrace. Me envolva entre seus braços. Me deixe te sentir. Passe para os meus poros o calor de seu corpo. Não deixe que eu me sinta só. Pode ir, mas quando eu pedir, volte. Quando eu quiser, queira. Não me negue um pouco de você. Quero tudo, ou não vou pedir mais nada. Não quero todo tempo, mas quando quero, quero o tempo todo. Quero sugar teu mel, absorver teu suor no momento de teu êxtase. Quero sentir teu pulsar dentro de mim, controlando meu corpo, num sincronismo de movimentos. Desejo sentir teu perfume. O musk, e o âmbar e o amadeirado, e o cheiro do vinho que tomaste. O cheiro que teu corpo exala, que exala quando me tomas em tua cama, em teu chão, em tuas escadas. Quando me beijas. Então te beijo. Quando eu não beijar, não beije. Mas quando eu beijar, me agarre, me tome, façamos amor desesperadamente. Sem pudores, sem frescuras, sem preconceitos. De todos os modos, todos os lados, todos os tipo, todos os ângulos. Por que te desejo por inteiro, completo, bom e mau, o certo e o errado. Te quero por perto. Te quero em minha solidão. Quando meus olhos tristes procurarem por seus braços fortes e suas mãos quentes, não me deixe. Me abrace. Me deixe me afogar em seu peito, por que embaixo dessas lágrimas frias, te desejo quente. Desejo com um desejo ardente, um fogo. Me ame. E, em suor e gritos, exalemos esse amor por todos os lados, deixando-os escapar pelas fendas nas paredes. E, assim, atacaremos os vizinhos, os colegas, e os primos...

A vendedora de flores

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Era mais uma gélida manhã em Londres. Mas a calmaria das minhas férias seu lugar a uma tempestuosa torrente de perguntas, que pouco a pouco, implodiam minha mente. Quem era aquela mulher, que conhecia tão bem a mim e a papai? Acaso conheceu ele no passado? Ou, pior, será possível que seja uma namorada antiga? Essas perguntas bombardeavam minha mente, e a busca pelas respostas me deixava, ora ansiosa, ora temerosa. E se for mesmo a vendedora de flores? Tenho uma vaga lembrança dela, e papai disse que me conhecia bem. Ok, é uma teoria. Se bem que essa se parece tanto com a vendedora, que é quase uma certeza. Acho que, na verdade, se eu puser umas rugas e pés de galinha na foto de papai verei a mesma pessoa. Fiz toda força para me lembrar da vendedora, mas só lembro mesmo da última vez que a vi. Lembro-me que chorava, acho que eu também chorava. Chorei ao ver ela partir. Em suas mãos a velha cesta de rosas, e o cheiro de rosas ia embora com ela. Por que? Por que nada mais? Perguntarei a papai, assim que chegar em casa.
– Pai. – eu disse, enquanto punha o jantar dele.
– Sim, querida.
– Vi hoje uma moça que me lembrou aquela vendedora de flores... – papai deixou cair o copo de wisky, seus olhos se abriram, e ele fazia movimentos rápidos com a cabeça. – Calma papai, o que houve?
– Essa, mulher que você viu, ela falou com você?
– Umas coisas, mas eu não fiz questão de prestar muita atenção.
– O que ela disse, Audrey? O que ela disse?
– Meu pai, se acalme. Ela só perguntou por você, disse que nos conhecia, perguntou como estou, mas nem ao menos se identificou. Eu que a achei parecida com a vendedora. E além do mais, ela me lembrou do cheiro de rosas que senti quando a vendedora partiu.
– Você se lembra de quando a Ashley partiu?
– Então esse era o nome dela? Ashley – repeti ainda umas duas vezes na mente, e continuei. – Não me lembro muito. Só que lembro que chorei, ela chorou e eu queria ir com ela. Pai, tem alguma coisa que você talvez queira me contar?
– Filha, depois do jantar conversamos, está bem assim?
– Está bem, papai. Eu já terminei de pôr a mesa, pode vir.

Aquele quarto velho e empoeirado

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Ao abrir a porta, sentiu no rosto a corrente de vento empoeirado. Mas as peças, entretanto, ainda estavam todoas no lugar onde as deixou. A cama mal forrada, os livros espalhados pela mesa, se misturando com os vinis, além, é claro, dos murais. Sentiu no rosto uma lágrima gelada, e, novamente, o vento empoeirado que vinha de uma fenda na janela, alguem quebrara os vidros. Aproximou-se da cama e levantou o lençol, ali era possível sentar-se sem sujar o vestido com a grossa camada de poeira no móvel. Passou a pensar no que tinha se tranformado. Na pessoa que passou a ser e na que era da última vez que esteve ali. Se bem que elas nem eram tão diferentes, afinal as mudanças começaram ainda naquele quarto, agora velho e empoeirado.

Prazer em conhecer

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Árvores, pássaros, flores. O parque John Stefan era um ótimo lugar para passar o tempo, ou mesmo para ver o tempo passar. Pensei que seria perfeito terminar a leitura do ultimo livro que peguei emprestado na biblioteca. [...]
O livro permanecia em minha frente, em minhas mãos, mas era claro que eu não mais o lia. Primeiro por que ele estava a um distancia que minha miopia não mais me permitia ler. Além do que, meu olhar estava distante, na outra margem de vinte oceanos. Na verdade eu não fazia a menor idéia do que eu pensava, mas tinha a certeza de que onde quer que estivesse, era bem longe dali. [...]
Estava tão absorta nesses meus pensamentos que não reparei que alguém se aproximava. Ele parou à minha frente, e disse:
– Desculpe-me por interromper sua contemplação, mas, posso me sentar ao seu lado?
– Hã? Desculpe, eu não estava prestando atenção. O que você disse?
– Perguntei se posso roubar a atenção dos seus pensamentos. – e sorrindo continuou – Permite que eu me sente ao seu lado?
– Claro – dito isto, peguei o marcador do banco. E, depois de marcar a página que lia, fechei o livro. – Prazer, Laisa.
– Robert.

'Olhos Verdes', de Gonçalvez Dias

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Odeio colégio... Amo estudar, mas odeio o colégio. No entanto, algumas poucas vezes, o colégio me dá umas recompensas, conhecer o poema abaixo foi uma delas... Deleitem-se

São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;
Uns olhos cor de esperança,
Uns olhos por que morri;
Que ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como duas esmeraldas,
Iguais na forma e na cor,
Têm luz mais branda e mais forte,
Diz uma — vida, outra — morte;
Uma — loucura, outra — amor.
Mas ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

São verdes da cor do prado,
Exprimem qualquer paixão,
Tão facilmente se inflamam,
Tão meigamente derramam
Fogo e luz do coração
Mas ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
depois que os vi!

São uns olhos verdes, verdes,
Que podem também brilhar;
Não são de um verde embaçado,
Mas verdes da cor do prado,
Mas verdes da cor do mar.
Mas ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como se lê num espelho,
Pude ler nos olhos seus!
Os olhos mostram a alma,
Que as ondas postas em calma
Também refletem os céus;
Mas ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Dizei vós, ó meus amigos,
Se vos perguntam por mim,
Que eu vivo só da lembrança
De uns olhos cor de esperança,
De uns olhos verdes que vi!
Que ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Carta de Luciana

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Oi. Demorou de responder, então resolvi escrever outra carta. Estava vendo as fotos do fim de dois mil e sete, e chorando mais uma vez. Nem diga nada. Sei que é um passado do qual nos envergonhamos. Mas admita que foi lindo, foi poetico, litorâneo e sonhador. Foi a ultima vez que te vi chorar, se não me engano. Lembro que estavamos conversando, por telefone, semana passada, e você disse que não chorava em público para não exibir suas fraquezas. Sabe, eu tambem pensava assim. Até lembro a primeira vez que chorei em público. É sério, eu lembro. Foi no mercado, não lembro o motivo. Tentei esconder, mas chorei. Até hoje, quendo choro na rua, choro discretamente, mas choro, e não seguro o choro. Você devia fazer o mesmo. Sei que vocês dizem que sou uma chorona. E admito que choro com fotos, músicas, filmes, vozes. Lembra que uma vez eu chorei por que minha miopia não me permitia enxergar a lua? Você riu de mim, brigamos, mas passou rápido. Como todas as nossas brigas, aliás. A gente nunca passava mais de dez minutos brigadas. Enfim, tava pensando essas coisas, mas não queria falar por telefone. Desde que vim para cá me sinto muito só, sabe? E não é a mesma coisa, só com as meninas daqui, elas não me distraem tanto quanto você. Ah, quase que me esqueço: nunca mais passe mais de quinze dias sem me escrever!

Beijos. Até sua próxima carta.
                                                                                       Luciana Alves, Bruxelas, Bélgica.

Trabalho de Biologia

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Minha mente vagueava pelo espaço. Eu pensava no homem que vi hoje à tarde, e no beijo que ele me deu. Eu pensava em Isaac, e naquele sorriso que me deixa louca. Pensava nos acústicos que estou ouvindo, e no meu violão que ainda nem comprei. Na TV que mudou de canal, me parece que, sozinha. Na banda de rock que eu e umas amigas estamos criando. Na faculdade, e na possível, porém remota, idea de ser professora. Pensava também em alguma forma de ganhar dinheiro. Eu pensava no mundo quase todo. Menos na biologia, no livro à minha frente ou na apresentação sobre lipídios, que deve começar assim que esta madrugada acabar, na primeira aula.

Não sei...

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Não sei se vou manter esse blog. Não sei se vou postar todos os meses, tão pouco todos os dias. Não sei se alguém irá ler, ou está lendo este texto. Não sei se vão gostar do que publico. Não sei se virarão seguidores, ou abandonaram esse blog para nunca mais voltar a vê-lo. Enfim, não sei de absolutamente nada. Mas a única coisa da qual tenho certeza é que tenho a necessidade de expor minha arte ao mundo, quer ele goste, quer ele aprove, quer ele precise, quer não para todas as alternativas. Não lhe peço fidelidade, nem interesse, nem mesmo sua atenção. A única coisa que peço, e sei que não será um sacrifício tão supremo, é que não ignorem o que digo, mesmo que não concordem, mesmo que não mais queiram me ouvir falar, ou ler o que escrevo. Apenas peço que desviem um pouco de tempo para ver as divagações e os devaneios dessa mortal sessentista guiada pela imaginação.