Sobre esses dias II

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Eu acho que eu só finjo ser eu.
Penso que sou qualquer outra pessoa assumindo o papel de alguem que, se eu fosse eu, eu gostaria de ser.

Estou viva. Mas vez por outra penso meu estado natural, de morte.
Confortavelmente morta.
Deixando que o outro ser assuma meu corpo, que a carne se dirija no modo automático. a carne anda, come, conversa, sai, volta.

Eu, morta, a observava.
Pintava (com minhas tintas coloridas e invisíveis).
Cantava (pra ninguém ouvir).
Ouvia (desde as músicas até o silêncio)
Dançava (só).

Não me sinto muito confortável nesta condição de pessoa viva.
Quem sabe eu morro de novo.
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Quando olhou às putas encostadas no muro, viu Nina. Sorriu com desprezo. "Aquela puta desgraçada! Como pôde fazer isso comigo?!", pensou. Olhou novamente. (Agora ela o viu). Sorriu novamente. (Dessa vez com cinismo). Levantou a mão esquerda e estendeu dedo médio.
- Punheteira - gritou. E acelerou (fazendo pneu cantar).

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Eu não sou escritora. Nem poeta, nem artista, nem nada dessas coisas. Só os admiro.
Eu não sei de onde alguns tiram a estúpida idéia de que eu eu sou uma boa menina.
Eu não tenho sentimentos. E, se eles existem, eu os ignoro propositalmente.
Eu me deixo conhecer até certo ponto. E os que ousam ultrapassar esse limite não raro se arrependem.
Não permito que se apeguem muito ou que se tornem dependentes de mim.
Apesar de tudo, eu não me acho uma pessoa ruim. Os maus são muito piores do que eu.
Eu só não presto.

É claro que eu também poderia falar das minhas qualidades, mas eu não sei fazer isso e nem mesmo sei quais são elas.