Por amores já chorei que nem viúva

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"Fiquei imaginando isso... Tu no meu colo, eu te fazendo carinho. A gente conversando sobre alguma  viagem... Tu fechando os olhos, eu te beijo e tu sorri... Depois te deixo dormir..."

E foi essa a primeira coisa que eu li na manhã ontem. Eu já tinha caído no sono quando ele enviou. Leonardo era tão doce. No inicio ele era só mais um match no Tinder. Mas, algo em sua conversa, em sua preocupação. Eu fui me apaixonando por ele. Confessei assim que me dei conta, ou melhor assim que ele disse que amava quando eu o chamava de meu anjo. E eu te amo. Eu disse sem pensar duas vezes, embora tenha me arrependido em seguida e, como de costume, perguntei a mim mesma que merda eu havia acabado de fazer. Mas ele, um anjo, disse que também me amava e que estava reunindo coragem para para contar. Isso aconteceu 3 dias atrás.
Ontem eu reuni, além de coragem, dinheiro e fui até a casa dele. Fiquei 7h40mim num avião. Ele, tal qual Nina de Chico Buarque, já havia me mostrado na tela a cidade o bairro a chaminé da cada dele. Quando desci na rodoviária eu sabia exatamente para onde ir. Eu só não sabia que antes de vê-lo veria sua esposa no jardim brincando com 2 menininhas e um bebe. Eu fui pelos fundos e coloquei fogo na casa. Ninguém morreu. Isso não faz de mim uma pessoa ruim, faz?
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Salvador fede a excrementos.

Esse provavelmente não seria um bom slogan para a prefeitura ou para uma agência de viagens. Algumas pessoas não entenderiam porque é necessário dizer que uma cidade tão linda fede.
Mas fede. E muito.

Em alguns lugares, como o que me deu esse lampejo, uma ruela do Centro Histórico por onde saem os que subiram o Plano Inclinado rumo à Cidade Alta, o fedor é bem literal. As fezes e marcas de urina são claramente vistas nos cantos das paredes e nos pedaços de papelão espalhados pelo chão. O turista mais desavisado pode não ter muita sorte. Os nascidos e criados pulam os excrementos tal como fogueiras no São João.

Enquanto pensava essas coisas, passou por mim um homem fazendo zig zag numa bicicleta, embora estivéssemos numa passagem estreita e cheia de pedestres.
- Quer atropelar as pessoas?! - gritou um homem grisalho que não aparentava ter mais que 60 anos.
- Ele a ainda está aprendendo a pedalar - emendei.
O homem, já uns alguns metros à nossa frente, virou seu rosto para trás, e em meio àquele zig zag nauseante e gritou:
- Vocês são todos pretos!
- Obrigada. - respondi sorrindo.
Mas uma moça ao meu lado não distorceu, assim como eu, o significado daquela tentativa de insulto e gritou em resposta.
- E você é branco! Todos os brancos são porcos!

Eu não sei o sentido que ela quis dar à palavras porcos.
Eu não concordo inteiramente com ela.
Mas eu sei que, além da cidade, algumas pessoas em Salvador também fedem a excrementos.