Me abrace

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Não questione quando eu disser 'me abrace'. Não questione, não pense, nem pare. Apenas abrace. Me envolva entre seus braços. Me deixe te sentir. Passe para os meus poros o calor de seu corpo. Não deixe que eu me sinta só. Pode ir, mas quando eu pedir, volte. Quando eu quiser, queira. Não me negue um pouco de você. Quero tudo, ou não vou pedir mais nada. Não quero todo tempo, mas quando quero, quero o tempo todo. Quero sugar teu mel, absorver teu suor no momento de teu êxtase. Quero sentir teu pulsar dentro de mim, controlando meu corpo, num sincronismo de movimentos. Desejo sentir teu perfume. O musk, e o âmbar e o amadeirado, e o cheiro do vinho que tomaste. O cheiro que teu corpo exala, que exala quando me tomas em tua cama, em teu chão, em tuas escadas. Quando me beijas. Então te beijo. Quando eu não beijar, não beije. Mas quando eu beijar, me agarre, me tome, façamos amor desesperadamente. Sem pudores, sem frescuras, sem preconceitos. De todos os modos, todos os lados, todos os tipo, todos os ângulos. Por que te desejo por inteiro, completo, bom e mau, o certo e o errado. Te quero por perto. Te quero em minha solidão. Quando meus olhos tristes procurarem por seus braços fortes e suas mãos quentes, não me deixe. Me abrace. Me deixe me afogar em seu peito, por que embaixo dessas lágrimas frias, te desejo quente. Desejo com um desejo ardente, um fogo. Me ame. E, em suor e gritos, exalemos esse amor por todos os lados, deixando-os escapar pelas fendas nas paredes. E, assim, atacaremos os vizinhos, os colegas, e os primos...

A vendedora de flores

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Era mais uma gélida manhã em Londres. Mas a calmaria das minhas férias seu lugar a uma tempestuosa torrente de perguntas, que pouco a pouco, implodiam minha mente. Quem era aquela mulher, que conhecia tão bem a mim e a papai? Acaso conheceu ele no passado? Ou, pior, será possível que seja uma namorada antiga? Essas perguntas bombardeavam minha mente, e a busca pelas respostas me deixava, ora ansiosa, ora temerosa. E se for mesmo a vendedora de flores? Tenho uma vaga lembrança dela, e papai disse que me conhecia bem. Ok, é uma teoria. Se bem que essa se parece tanto com a vendedora, que é quase uma certeza. Acho que, na verdade, se eu puser umas rugas e pés de galinha na foto de papai verei a mesma pessoa. Fiz toda força para me lembrar da vendedora, mas só lembro mesmo da última vez que a vi. Lembro-me que chorava, acho que eu também chorava. Chorei ao ver ela partir. Em suas mãos a velha cesta de rosas, e o cheiro de rosas ia embora com ela. Por que? Por que nada mais? Perguntarei a papai, assim que chegar em casa.
– Pai. – eu disse, enquanto punha o jantar dele.
– Sim, querida.
– Vi hoje uma moça que me lembrou aquela vendedora de flores... – papai deixou cair o copo de wisky, seus olhos se abriram, e ele fazia movimentos rápidos com a cabeça. – Calma papai, o que houve?
– Essa, mulher que você viu, ela falou com você?
– Umas coisas, mas eu não fiz questão de prestar muita atenção.
– O que ela disse, Audrey? O que ela disse?
– Meu pai, se acalme. Ela só perguntou por você, disse que nos conhecia, perguntou como estou, mas nem ao menos se identificou. Eu que a achei parecida com a vendedora. E além do mais, ela me lembrou do cheiro de rosas que senti quando a vendedora partiu.
– Você se lembra de quando a Ashley partiu?
– Então esse era o nome dela? Ashley – repeti ainda umas duas vezes na mente, e continuei. – Não me lembro muito. Só que lembro que chorei, ela chorou e eu queria ir com ela. Pai, tem alguma coisa que você talvez queira me contar?
– Filha, depois do jantar conversamos, está bem assim?
– Está bem, papai. Eu já terminei de pôr a mesa, pode vir.

Aquele quarto velho e empoeirado

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Ao abrir a porta, sentiu no rosto a corrente de vento empoeirado. Mas as peças, entretanto, ainda estavam todoas no lugar onde as deixou. A cama mal forrada, os livros espalhados pela mesa, se misturando com os vinis, além, é claro, dos murais. Sentiu no rosto uma lágrima gelada, e, novamente, o vento empoeirado que vinha de uma fenda na janela, alguem quebrara os vidros. Aproximou-se da cama e levantou o lençol, ali era possível sentar-se sem sujar o vestido com a grossa camada de poeira no móvel. Passou a pensar no que tinha se tranformado. Na pessoa que passou a ser e na que era da última vez que esteve ali. Se bem que elas nem eram tão diferentes, afinal as mudanças começaram ainda naquele quarto, agora velho e empoeirado.