Sobre esses dias

Me perdoe, eu não sei exatamente se alguém vem aqui, se ninguém vai ler isso, mas de qualquer forma acho que devo uma explicação. Há muito não escrevo uma linha sequer, não é que a criatividade tenha acabado, mas é que a vida não me deixa mais ter olhos para a imaginação.

As coisas acontecem e deixam de acontecer tão rápido, as pessoas vem e vão tão rápido, a vida passa tão rápido. Enfim (ou esse é apenas o começo?), não vou prometer nada, não vou tentar nada, mas sinto que só posso desabafar com vocês. Estranho, pois me sinto melhor contando para pessoas que nunca vi o rosto do que para amigos que me espremem para saber sobre meus sentimentos. Algumas vezes eu penso em conversar com Mari, uma amiga de muitos anos, ou Bruno, um amigo mais recente, mas que sabe sobre mim quase tanto quanto Mari, mas acho que eeas já tem problemas demais pra eu encher ainda mais a cabeça deles.

Sabe, esses dias eu ando confusa, não sei mais o que fazer da minha vida. Já pensei em fugir, mas parece que se eu não estiver aqui para equilibrar as tensões minha casa vai desabar, se eu não estiver firme para ajudar meus amigos e familiares parece que eles não vão resistir, se eu não... Eu não sei de mais nada. Já pensei em tudo, mas o medo de decepcionar quem amo sempre me impede de fazer qualquer coisa. Esses dias fora, constatei uma mania antiga minha, da qual não consigo me livrar: eu sempre ponho as necessidades dos outros sobre meus ombros, renegando minhas vontades para satisfazer as ansiedades e os desejos deles. Não sei se é uma qualidade, se é um defeito, na verdade eu não sei de merda nenhuma, percebi que nem mesmo sei quem é Laisa.

Bem, acho que nunca fui tão sincera quanto hoje, mas penso que devia isso a todos que leem, todos que seguem e a todos os meus amigos. Se alguma coisa mudar ou se eu escrever qualquer parágrafo que seja, eu prometo que venho aqui correndo para lhes mostrar. Por hora, peço que sejam compreensivos com essa criança de 17 anos que acaba de despejar seu coração para vocês, como alias nunca fiz antes e não prometo fazer de novo.

3 comentários:

Alessandra Santos disse...

Olá, menina!

Da mesma forma com que você disse ter se identificado com meus escritos, digo o mesmo. Também ando sem muita imaginação, na verdade, ela até vem, mas em momentos em que não tenho como escrever, daí as palavras vem e vão tão rapidamente... E me fogem.

Também uso a escrita pra desabafar um monte de coisas, seja em textos em primeira pessoa, seja naqueles fictícios, inventados. Às vezes nos sentimos tão sós mesmo estando rodeados de pessoas. Como você, vivo fazendo as vontades alheias, deixando de lado as minhas. Aos poucos, venho podando isso, porque cansei de me sujeitar aos outros, sabe. Aprendi que ninguém se importa comigo, por que me importaria com os outros? Hoje, aprendi a bater o pé e fazer valer a minha voz.

Termino dizendo que gosto da sua escrita, gosto das suas ideias e me identifico muito com elas. Espero que você possa se conhecer cada vez melhor, se descobrir e perceber o seu valor.

Um beijo!

Leon K. Nunes disse...

Oi Laisa, aqui estou eu com a difícil tarefa de comentar esse texto seu, porque os textos sinceros são aqueles mais difíceis de se falar sobre; não à toa sempre demoro a responder os textos que você escreve, já que até mesmo aqueles ficcionas parecem ter uma carga emocional, e isso me faz vir aqui por diversas ocasiões, e, em todas elas, ler a postagem repetidas vezes, até que eu me atreva a, enfim, acrescentar alguma coisa - "acrescentar" não é bem a palavra (pretensiosa demais).

Eu acho que você não perde em ser sincera e autêntica. Porque é nessa autenticidade que reside a sua libertação (ou autolibertação, se for mais conveniente). Quando fiz o blog foi com esse intuito também: no meu caso, tem bastante literatura, mas é tudo com excesso de teor autobiográfico, porque é a melhor maneira que encontrei para externar meus conflitos com o mundo, assim espanto meus fantasmas. Percebo que seu blog tem um pouco disso, apesar de que nessa última postagem em específico fica transparente uma espécie de repressão, como você se segurasse ao falar. Eu tenho certeza de que aquilo que você precisa pôr pra fora vai muito além destes quatro parágrafos. E é algo que você pôde desembocar aqui mesmo no blog, ou com amigos, ou com quem quer que seja. Você não perde em utilizar nenhum desses recursos. Eu entendo essa dificuldade em conversar com os amigos a respeito dos seus dilemas, de restringir-se aos deles. Comigo ocorre algo idêntico. Às vezes também queria falar, também queria ouvir algumas coisas... entre as pessoas de meu convívio e com quem converso ocasionalmente, isso é complicado.

Acredito que você seja uma pessoa de ótimo papo, deve ter bons amigos, mas bons amigos somente se mostram como tais no momento em que se preocupam com você. Concordo que essa iniciativa não deveria partir de você. Quem sabe eles atentem para o fato de que alguém próxima deles está com problemas e precisa de uma prosa revigorante...

Eu acho que falaria mais, mas não sei se estaria ajudando. Posso dizer somente que não, não é irritante isso que você revelou nesse post, não é algo que denote fracasso, não é algo que denote perda. Todo esse conflito pode ser circunstancial. Pode ser um teste, sem o qual você não poderia enfrentar de maneira altiva aqueles que se porão no seu caminho no futuro. De maneira que neste momento, precisa ser forte, engolir sapo mesmo. Deve ser brabo, entendo... Parece que você está em busca de algo, que talvez não tenha a efetiva certeza de que neste algo se encontra alguma resposta positiva para sua vida. Vai saber, essas coisas são complicadas...

Não fuja. Fique, enfrente. Não aja da maneira que o conflito exige, não se restrinja à "zona de conforto". No germe de todo problema se encontra a sua solução... então fique e desvende-a. Depois que a poeira baixar, aí sim toda ação será fruto de uma conquista, e não de uma fuga.......

Para finalizar, digo-lhe uma coisa: fiquei muito satisfeito em revê-la lá no Literatura Vil. Sem mais, saudações.

Iza disse...

Olá, Laisa!

É bem mais fácil falar sobre o que sentimos para os que não nos conhecem. Para mim também é assim.

Por incrível que pareça, na vida, as coisas acontecem em ondas. E vamos pulando diversas ondas na vida. Algumas são tão altas e fortes que parecem que nunca passarão, mas passam. E é quando elas passam que notamos que conseguimos superar o que parecia insuperável. Comigo é assim.

Agradeço sua visita ao Dama de Lua e te digo que aquele é um blog criado para passar a limpo e reconstruir minha história na web, falando justamente sobre tudo o que não pude falar enquanto estava no diário. O diário que foi feito para que eu não revelasse minha identidade as pessoas que conheço, se tornou conhecido pelos colegas e familiares e nele, travei meus sentimentos.

Mesmo não abandonando o diário, resolvi começar outro blog.

Que dias melhores venham a galope.