Notas sobre um quase relacionamento


Para os meus amigos nós estávamos namorando. Para nós, nunca. Ou pelo menos eu nunca o achei e ele nunca fez questão de me convencer do contrário. Ou talvez ele pensasse nisso quando disse que 'a coisa estava ficando séria', o que aconteceu pouco antes de eu me fazer de desentendida. Quando eu pensei em namoro, ele não queria mais. Desencontros da vida.  Creio que para viver bem devemos nos acostumar com eles. Ou pelo menos aceitar sua existência.


Eu me apaixonei pela ausência dele.
Era lindo lembrar dele comigo na cama me fodendo com força ou me dando colo e dizendo coisas bonitas. Isso é uma quase verdade. Ele não me dizia coisas bonitas. Na verdade ele nao me dizia quase nada. Por isso sua presença nao era tão interessante quanto sua ausência. Quando ele estava perto. Eu tinha que falar com ele quase por obrigação. E suportar seus silêncios. Também as coisas que ele falava não me interessavam muito. Mas sua ausências, por outro lado, eram mágicas. Sentir falta dele era meu sentimento favorito. Eu adorava esperar a que momento do dia eu poderia ve-lo cruzar alguma rua a distância. Meu coração acelerava se eu via ao menos parecido. Se fosse ele, de fato, a graça diminuía, mas ainda era excitante observar seus passos a distância. Odioso era quando ele se aproximava. Ou quando eu por obrigação ou esquecimento ia ao seu encontro.


Mas acabou. Como tudo na vida acaba. Hoje ele é meu personagem. E sua ausência agora será, inevitavelmente, objeto do meu amor eterno.

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