impressões sobre o espetáculo de dança II

Ela expôs toda a minha fraqueza. Seu olhar fixo no meu revelou toda minha de... o que me falta? Nem eu mesma sei. Mas, seja o que for, ela o tem.
Seu domínio das línguas revelou minha total falta de compreensão, minha incoerência.
"Agora eu preciso ficar sozinha", ela disse. E eu esperei um não-sei-o-que por alguns segundos. Quem sabe uma retificação... Mas ela se mantinha impassível com seus olhos duros a mirar os meus. Então saí.
Sem pensar. Sem questionar. Sem expressar meu desejo. Saí.
E uma forte dor tomou conta do meu peito. Mas já era tarde. Eu não podia me render ainda mais. Mesmo que saindo eu estivesse apenas atestando o quão fraca eu sou perante ela. Mesmo que saindo eu estivesse apenas medindo o grau do medo que eu tinha de voltar.
Eu saí. Sem olhar pra trás.

impressões sobre o espetáculo de dança I

3 comentários:

Sr. Reticente disse...

Estou te devendo um e-mail, eu sei. Mas eu respondi sua mensagem, você recebeu?!
Beijos!

Laisa Ferreira disse...

recebi sim :)

Leon K. Nunes disse...

Que tantas coisas ditas em tão poucas palavras. Li as impressões I e II, e senti a aflição na mensagem, nas referências àquele olhar de quando ainda eram doces, das tripas que se queria arrancar como a buscar a cura de algo... Talvez a cura resida não na tentativa de transformação ou punição, mas tão-somente na despedida, no ato de ir embora sem olhar pra trás... assim como o Major, do meu conto que você tão pouco comentou (mas que sim, foi suficiente). A vida é mesmo uma história de despedidas... um beijo.