Por não ter o que fazer

Estou aqui.
Estou cansada de tanto tédio.
Estou escrevendo tudo que deveria estar falando.
Estou jogando bolinhas de papel no asfalto
dizendo a todos que passam em frente a varanda:
qual é o seu problema?
E eles me contam,
por que também não tem o que fazer
Por não ter o que fazer faço o que não devia,
fuço o que não devia,
como o que não devia,
quem não devia.
Beijo o que não devia,
Em cada brejo que nem devia conhecer.
Os sapos beijam de língua,
na esperança de ganhar coroa.
E no derradeiro dia,
esperarei a morte na cadeira de balanço.
Vendo da varanda a chuva que cai,
que cai sobre os morangos, já quase maduros,
Sinto o cheiro da estação.
Em casa, o pó. Na cadeira, eu... e mais pó.
Por não ter o que fazer, leio o que eu escrevi.
Sorrio a toa e choro com filmes.
Por não ter o que fazer,
tento te esquecer,
E tento não lembrar que ainda te amo,
tanto quanto amava no dia de sua morte.

2 comentários:

Nicolas disse...

É, eu tenho mais medo de envelhecer do que de morrer. Por isso sempre digo que quero morrer jovem.
Enfim, esse texto não tem link em baixo. Então é seu, não é? haha
Acho que existem muitas pessoas no mundo cansadas de tanto tédio, jogando bolas de papel na calçada e esperando a morte. Umas 7 bilhões de pessoas, talvez. Por aí.

obs: Me passa o link do seu texto "Essa menina e o moço"? É que eu sou idiota e não encontrei no blog.

Nicolas disse...

Finalmente, li essa menina e o moço haha
Gostei muito. Você fez questão de dizer que o seu texto era tão pior que o outro, que eu fiquei surpreso. Mas é sempre bom superar as expectativas. Agora eu reafirmo, com certeza, que você escreve muito bem rs